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Sobre a Escrita: Novos Autores

O Mundo mudou. Se é para melhor ou pior é questão de opinião, embora eu concorde com o André de que, no geral, melhorou (e muito). E com o avanço e popularização da Internet e do Celular, em conjunto com as mídias digitais e redes sociais, tudo ficou mais fácil, mais acessível. Desde a informação mais absurda e inútil que você nunca precisaria saber, mas se quiser (e souber procurar) estará acessível como uma maior facilidade na divulgação e publicação de qualquer material, independente inclusive da qualidade (como este Blog está aqui a mais de um ano e meio para provar).

E essa facilidade na divulgação é boa e ruim, como todo o resto, mas no geral é boa. Se você quer um determinado produto ou serviço é capaz de encontra-lo com uma facilidade que não tínhamos na década de 90 do século passado, por exemplo, e o mesmo vale para o prestador de serviços ou produtos que agora podem atingir com maior facilidade seu público alvo. Mas o que é bom para quem faz (ou procura) Massagem Tântrica, Capa de Tricô para Botijão de Gás ou, sei lá, quadrinhos, tem um impacto que pode não ser tão positivo em quem gera algum tipo de cultura ou conteúdo.

O fato de que qualquer um pode gerar conteúdo hoje e bom, e seria ainda melhor se o brasileiro tivesse o mínimo de bom gosto e não tornasse tamanho número de idiotas famosos. Mas até aí quem sou eu para julgar? O cara produz o que quer e ninguém é obrigado a consumir, apenas podemos lamentar e não é surpresa para ninguém que esse país não tem a menor chance de dar certo. Nunca teve nem nunca terá.

Mas voltando agora ao objetivo desta postagem, ontem a nossa querida amiga e blogueira Bajoriana colocou de uma forma bem literal, no Twitter, que não há literatura de qualidade sendo produzida no Brasil. E sou obrigado a concordar em grande parte com ela, mas acho que há sim literatura sendo produzida, apenas não aparece.

É o mesmo fenômeno que vemos no YouTube, por exemplo, onde há muita coisa boa, mas é difícil achar devido ao grande volume de lixo que lá existe justamente pela facilidade de produção e envio de matéria.

O que eu vejo acontecendo na nossa literatura (e música) é uma conjuntura de dois fatores: um Cultural e outro realmente devido à tecnologia como citei acima.

Culturalmente, temos uma geração que está chegando agora e para quem tudo sempre esteve acessível. Tudo sempre foi fácil e todos sempre ganharam medalhas pelo esforço. E essa geração está chegando na Vida Real e achando que o Mundo está errado por não reconhecer a sua genialidade. Eles sempre foram sucesso. Sempre ganharam. Tudo o que fizeram sempre deu certo e o livro de fantasia erótico-medieval que escreveram sem mal ter saído da puberdade já está escrito e publicado! É um verdadeiro absurdo esse Mundo Patriarcal não estar pronto para a genialidade dessa obra que irá mudar os rumos da literatura mundial e virar série na HBO.

Critica construtiva? Opinião de leitores fora da bolha? Editoração? Não há necessidade para isso. Eu sou um gênio(a) (embora em casos assim a utilização do termo Gênie caiba muito bem) e não preciso de nada disso para mostrar o meu valor.

E daí chegamos na facilidade da publicação de qualquer material hoje, que é excelente por diversos motivos como o nosso acesso a canais no YouTube de especialistas sobre qualquer assunto incluindo, no meu caso, aulas e Mestres do Xadrez. Não fosse isso eu não estaria aprendendo ou desenvolvendo na velocidade que estou. Tem inclusive um livro sobre como escrever um Romance e publicá-lo no Kindle, que eu pretendo ler ainda (estava de graça e eu peguei, por pura curiosidade).

A grande questão dessa facilidade é que o desenvolvimento e o aprendizado vem justamente das dificuldades e desafios. Se todos os meus oponentes no Xadrez fossem piores do que eu, não haveria nenhum aprendizado. Nós aprendemos com os nossos erros, são eles que nos incentivam a melhorar e nos mostram o caminho.

Michael Crichton escreveu diversas versões do Jurassic Park antes de publicar a versão final. Recebeu muitas criticas de gente que não gostou dessas primeiras versões por ele focar demais nas crianças, ele mudou seu livro, sua história. Aprendeu. Stephen King ainda ouve, mesmo hoje, tudo o que seu editor tem a dizer e acata as suas sugestões e decisões. Ele tem um grupo de pessoas próximas que dizem para ele se ele escreveu mais um Best Seller ou um folhetim (e ele tem livros MUITO ruins).

Todo o processo que os escritores antigos eram obrigados a seguir para publicar seus livros os ajudava a crescer, a se tornarem melhores autores. Era necessário conseguir uma Editora disposta a publicar seu livro, e para isso ele deveria ser um bom livro, ou pelo menos vendável. E isso obrigava quem quisesse escrever a se desenvolver, estudar, aprender. Não damos valor ao que vem fácil, isso é uma grande verdade, e quando qualquer um pode publicar um livro, bem, QUALQUER UM PODE PUBLICAR UM LIVRO.

(Inclusive eu, porque não?)

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5 comentários em “Sobre a Escrita: Novos Autores

  1. Sim, há muita literatura fraca, mas há boa literatura no Brasil tb. Marcelo Gleiser é um bom escritor brasileiro.
    Eu não percebi como ela consegue fazer essa crític, pois ela tb não sabe escrever. Ela escreveu um curto texto repleto de erros. rsrsrs

    Curtido por 2 pessoas

    1. Tem muita literatura bacana, sim. Mas, como você bem descreve, Dexter, nem toda literatura boa está disponível.
      Quanta à sua amiga, o fato de citar Machado de Assis, pode ser um bom início, mas, generalizar, sobre os novos escritores, pode não ser.
      Ah! Marcelo Gleiser é muito bom mesmo, apesar de serem textos mais acadêmicos, apesar de acessíveis.
      A dança do Universo, por exemplo, é excelente!

      Curtido por 1 pessoa

    2. Eu senti preguiça com a comparação feita com Machado de Assis. Reconheço o valor do autor, mas espero, sinceramente, que os novos autores optem por não imitá-lo. A literatura mudou muito em estilo, forma e ritmo. Se alguém deseja imitá-lo, começa errando por aí.

      Mas há muito o que considerar e talvez eu escreva a respeito quando sobrar tempo na minha atribulada realidade.

      Mas achei interessante o tal prcesso antigo mencionado. Muitos bons escritores optaram por publicações independentes, bancando do próprio bolso, como Mário de Andrade, o modernista, autor de Macunaíma. E muitas mulheres, como Clarice, devido a falta de espaço, já que o mercado literario privilegia (ainda hoje) os homens. Quantas boas autores não saíram das sombras.

      E, na qualidade de Editora de um selo independente, posso assegurar que não existe livro bom-pronto… Todo escritor precisa de alguém que trabalhe o seu texto, como o senhor Stephe King reconhece. Mesmo assim corre o risco de escrever livros ruins e ele tem vários, segundo o meu gosto literário.

      Existe muita literatura ruim que vende e eu poderia citar vários.

      Reconheço, que literatura (nacional ou não) é gosto pessoal. Eu já li muitos livros incriveis e outros horríveis. Mas isso não me faz dizer que não irei ler esse ou aquele novamente ou que literatura brasileira é tudo ruim.

      Enfim… é um diálogo para horas inteiras.

      Curtido por 2 pessoas

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